Os bairros de Belém

 

Antônio Rocha Penteado (1968), tomando como base as características funcionais, distribui os bairros de Belém em cinco áreas:

Zona Sul: ocupava uma área de 1.047,4 hectares, sendo formada pelos bairros de Batista Campos, Jurunas, Cremação, Condor e Guamá;

Zona Leste: ocupava uma área de 478,4 hectares, e era formada pelos bairros de Nazaré, São Braz, Canudos e Terra Firme.

Zona Norte: possuía uma área de 4.495,1 hectares, sendo formada pelos bairros da Matinha, Umarizal, Telégrafo Sem Fio, Sacramenta, Pedreira, Marco, Sousa e Marambaia.

Os bairros de Batista Campos, Canudos, Marco, Nazaré e a área norte da Cremação possuíam terrenos elevados, com quarteirões amplos e traçados com um certo planejamento. Neles residia a classe média belenense. Suas casas eram assobradadas, revestidas de azulejo, construídas no alinhamento da rua, geralmente asfaltadas e, com exceção de Canudos, todas eram arborizadas. Na porção sul do bairro da Cremação moravam geralmente os operários e comerciantes.

O bairro de Nazaré apresentava grandes contrastes entre o novo e o velho, se destacando a Basílica de Nazaré, os grandes palacetes, alguns transformados em repartições públicas, outros ainda ocupados pelas famílias tradicionais de Belém, e as modernas construções, como o edifício Manoel Pinto da Silva, o mais alto de Belém. Além de ser um centro religioso, o bairro de Nazaré funcionava como um centro educacional, comercial e recreativo, pois o bairro concentrava o Núcleo de Matemática e Física e Faculdade de Administração da Universidade do Pará, o Colégio Nossa Senhora de Nazaré, a União Cultural Brasil-Estados Unidos, a Aliança francesa, uma pequena galeria, livrarias, papelarias, farmácias, institutos de beleza, duas boutiques, quatro cinemas, dois restaurantes, lanchonetes, bares e clubes sociais, o que permitia o desenvolvimento de uma vida noturna.

Nos outros bairros residia a população pobre de Belém, alguns apresentando graves problemas de saneamento básico, como a falta de água potável. Guamá, Jurunas e Condor eram bairros de várzea e seus moradores viam-se sujeitos às enchentes anuais do rio Guamá. As casas, a maioria barracas de madeira ou de pau-a-pique, cobertas de folhas de palmeira, eram construídas em um nível mais elevado, e eram ligadas às ruas por pontes. Para tentar resolver o problema, o Serviço Especial da Saúde Pública (SESP) construiu um dique de proteção, permitindo o aproveitamento das áreas dos bairros e a abertura da Estrada Nova (atual Bernardo Sayão), importante via comercial e industrial. Uma das indústrias era a Cia. Paraense de Látex, com 205 empregados. Nos bairros havia também grande número de bares e a venda de doces, tacacá e açaí.

A Zona Norte era uma região de profundos contrastes sociais. Nela ficavam situados os bairros mais populosos e mais miseráveis da cidade. No Marco residia a maior população de Belém, cerca de 40.550 habitantes, sendo que alguns deles pertenciam à classe média. Ele agregava importantes áreas de lazer da cidade, como o Bosque Rodrigues Alves e as sedes dos clubes Remo e Payssandu.

O Umarizal possuía a segunda maior população absoluta da cidade, cerca de 33.289 habitantes, enquanto que a Matinha, possuía a maior população relativa, cerca de 218,7 habitantes por hectare. No Umarizal os contrastes eram grandes. A sua área leste apresentava as mesmas características geográficas e sociais do bairro de Nazaré, sendo beneficiada por um pequeno centro industrial, onde ficavam localizadas as indústrias de transformação de fibras vegetais, de castanha, de refrigerante, doces, óleo, sabão, cigarro, de artefatos de alumínio e de couro. Já a sua porção norte limitava-se com o bairro da Matinha, e como este bairro, apresentava as piores condições de vida da cidade: uma população miserável, carentes de alimentação e escolas, e ruas alagadas, cheias de mato.

A situação não era muito diferente nos bairros da Pedreira, Sacramenta e Telégrafo Sem Fio. As desigualdades sociais se acentuavam quando comparadas aos bairros de Nazaré e Batista Campos. Enquanto Nazaré concentrava boas instituições de ensino, estes bairros populares quase não possuíam escolas, o que ocasionava graves problemas. A população em idade escolar ou ficava sem estudar, ou recorria aos colégios estaduais de Nazaré e dos outros bairros centrais, onde a disputa por uma vaga era grande, formando-se imensas filas em frente das instituições.

 

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Bibliografia