As ruas do Comércio de Belém e o marketing inteligente

A Santo Antônio sempre foi uma rua de lojas comerciais e também de escritórios e consultórios (geralmente nos altos de lojas). Tanto que, no número 2 funcionava o escritório de advocacia de Antônio Teixeira Gueiros e Hélio da Mota Gueiros (final dos anos de 40 e início da década de 50).

No ano de 1954, a PRC – 5, Rádio Clube do Pará, noticiava: “A Cidade das Sedas está inundando” . E foi aquele corre-corre em direção ao prédio da loja, na esquina da rua Santo Antônio, travessa Leão XIII. Espantados com a notícia, os populares aglomerados foram obrigados a dar passagem ao carro dos Bombeiros, que iam retirar dos porões da loja, a água que alagava tudo.

O encanamento se rompera e a água começava a transbordar. Os funcionários, todos na rua, espantados com o que estava acontecendo, acompanhavam os serviços dos bombeiros.

Na rua Gaspar Viana, Edgar Xerfan, irmão de José Xerfan (o dono da “Cidade das Sedas”), ouviu a notícia pelo rádio no momento que fazia a barba. Sem retirar a espuma do rosto, meia barba por fazer, levantou-se e saiu correndo em direção ao prédio da loja.

Depois de toda a água retirada e o encanamento reparado, o estabelecimento comercial fechou as portas. Dois dias depois, os jornais publicavam grandes anúncios: a “Cidade das Sedas” reabriria para vender os tecidos salvos pela inundação. E a loja faturou com tantos fregueses.

Em época em que ainda não havia agências de publicidade, a idéia e a execução do projeto foi o do próprio dono da loja, José Xerfan, homem de idéias avançadas e empresário dos mais arrojados. Ele foi o responsável pela intensa movimentação da rua Santo Antônio, a partir da inauguração da sua loja.

Outras lojas famosas da rua Santo Antônio eram: as Lojas Africanas, A. Monteiro & Cia, Casa Paz, A Senhorinha, Casa Moderna, Paris n' América (1ª empresa comercial registrada em Belém), Drogaria Sul-Americana e Lojas Colares, entre outras.

Em um sábado, em 1951 ou 1952, um alvoroço marcava a Rua João Alfredo que foi causado pela notícia: o General Alexandre Zacharias de Assumpção, Governador do Estado, estava na Casa Quintão fazendo compras. Nessa loja se vendia os últimos lançamentos da moda.

Os populares queriam saber qual o tipo de roupa que o General Assumpção estava comprando. Foi no momento que um vendedor gritou, entre os cochichos dos curiosos:

- O General está comprando cuecas?

- Cuecas? Então o general se abalava a vir pro comércio comprar cuecas ?

Muita gente achou graça. Um gaiato falou bem alto:

Por que vocês estão rindo? Então o homem, só porque é general e governador, não usa cueca? Não pode escolher as cores de suas cuecas?

O povo só se dispersou quando Assumpção apareceu, acenou a todos com a mão direita e entrou em seu carro. Saiu dali aplaudido.

A rua João Alfredo sempre foi a principa l rua do comércio de Belém. Desde os tempos coloniais. Nas décadas de 50 e 60, nas manhãs de sábado, se transformavam em autênticas passarelas de moda (tanto na João Alfredo como na Santo Antônio): as mocinhas, “os brotinhos” da época, aproveitavam para, em turmas, desfilar pelas ruas exibindo os últimos modelitos. Os jovens, “os pães”, ficavam nas calçadas a olhar e paquerar. Muitos namoros começaram ali, na troca de olhares, no piscar de olhos.

No começo do século, na “Belle Époque”, as mulheres só iam a João Alfredo vestidas a caráter, com longos vestidões e os homens, de paletó, chapéu e bengala .

 

ROCQUE, Carlos. Artigo publicado na coluna Memória, “A Rua João Alfredo, que já foi dos Mercadores e da Cadeia”. Caderno de Cultura do Jornal “A Província do Pará”, no dia 9 de novembro de 1997, p. 06 e 07.

ROCQUE, Carlos. Artigo publicado na coluna Memória, “A Rua João Alfredo, que já foi dos Mercadores e da Cadeia”. Caderno de Cultura do Jornal “A Província do Pará”, no dia 9 de novembro de 1997, p. 06.

ROCQUE, Carlos; Artigo publicado na coluna Memória, “A Rua João Alfredo, que já foi dos Mercadores e da Cadeia”, publicado no Caderno de Cultura do Jornal “A Província do Pará”, no dia 09 de novembro de 1997, p. 06 e 07

 

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O Brasil no fim da década de 1940 e na década de 1950: perfil sócio-econômico

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Bibliografia