A primeira Rádio do Norte: retomando a história

A Rádio Clube do Pará, foi inaugurada no dia 22 de abril de 1928 com o prefixo PRAF- A Voz do Pará.  A Clube funcionou pela primeira vez em uma casa no Largo da Trindade, no bairro da Campina. Ela operava com um transmissor montado artesanalmente, que passava a maior parte do tempo no conserto. A Rádio chegou a ficar uma semana fora do ar. A programação era exclusivamente de músicas clássicas, o vitrolão, que refletia o gosto da elite ouvinte da Rádio. Os discos foram doados por esse público. Depois, a emissora passou a funcionar em um prédio atrás do Cine Olímpia. A Clube não apenas mudou de endereço, mas a programação passou a ser mais organizada.
Em 1937, uma portaria do Ministério da Viação e Obras Públicas, órgão que fiscalizava as rádios no Brasil, determinou que as rádios tivessem no mínimo 1000 watts  de potência para funcionar. A PRC-5 tinha cerca 400 watts. Com a medida, a emissora quase fechou devido a dificuldade financeira e técnica. Os três amigos mandaram buscar em São Paulo o equipamento necessário para adequar os transmissores às exigências do Governo Federal, mas não conseguiram a tempo o dinheiro para pagá-lo. Edgar Proença então comunica ao público que a Rádio ia fechar. Os ouvintes não deixaram isso acontecer. As doações vieram de toda a sociedade, inclusive do governador José da Gama Malcher e do prefeito Abelardo Condurú. A Clube, que até então se mantinha das cotas de participação pagas por Edgar Augusto, Eriberto Pio e Roberto Camelier, torna-se uma empresa comercial, mantida por seus associados.
A emissora foi transferida para vários lugares, até que em 1937 foi instalada em sua sede própria, no bairro do Jurunas. O prédio da emissora foi chamado de Aldeia do Rádio. No local também foi construído, em 1945, o auditório da Clube, com capacidade para 150 pessoas. Como as condições do terreno não eram boas para o estúdio, em 1938 ele foi transferido para o segundo andar do Café Brasil, na rua 15 de Agosto. Os transmissores ficaram no Jurunas até 1980. Em 1954, a prefeitura de Belém doou um terreno na Avenida Presidente Vargas para os donos da emissora construírem uma nova sede. Como eles não tinham dinheiro para as obras, fizeram um acordo como engenheiro Judah Levi. O prédio e o terreno seriam dele, com exceção do segundo andar, onde a Rádio funcionou até a década de 80.
A Clube também mudou  de prefixo. De PRAF- A Voz do Pará, passou a ser PRC-5, como ficou mais conhecida, e tempos depois mudou para ZYE-20. Edgar Proença, numa tentativa de retomar o prefixo popular, o que não era permitido pela legislação, não vê  melhor alternativa senão mudar a razão social da emissora para Rádio Clube do Pará- PRC-5-Ltda. Na década de 30, Edgar Proença criou o slogan pelo qual até hoje a Rádio é conhecida: PRC-5- A Voz que fala e canta para a planície. Já na década de 60 o longo alcance das ondas da Rádio inspira um novo slogan “Rádio Clube do Pará- A Poderosa”.

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conteúdo:

O Rádio e a Vida Cultural de Belém

A primeira Rádio do Norte: retomando a história

Está entrando no ar a Rádio Marajoara

Liberal: A Experiência do Sul no Rádio do Extremo Norte

Inaugurada a Rádio Guajará

A Programação das Rádios Clube e Marajoara

A Programação da Guajará

A programação da Liberal: muita música e notícia

A época de ouro do rádio paraense: as radionovelas e os programas de auditório

Uma nova fase do rádio - Os radiojornais e a utilidade pública

Furos de Reportagem

A propaganda no Rádio

As Rádios e a Interferência do Poder

A influência do poder econômico

A influência do poder político

As Rádios e o regime militar

Bibliografia